A transição energética deixou de ser um tema de agenda futura. É hoje um factor crítico da competitividade das empresas, da resiliência económica e de posicionamento estratégico dos países com elevada incerteza geopolítica e pressão sobre cadeias de valor. Quem for incapaz de a executar com escala, previsibilidade e velocidade ficará exposto a riscos crescentes: financeiros, regulatórios e operacionais.
Importa clarificar: o problema não é tecnológico. As soluções existem e, em muitos casos, são economicamente mais competitivas do que os modelos energéticos que pretendem substituir. Também não é, como muitas vezes se sugere, um problema estrutural de falta de financiamento. O capital está disponível e o interesse do sector financeiro é real. O que continua a falhar é a capacidade de transformar ambição política e empresarial em projectos executáveis.
É neste contexto que surge o RAISE. Não como mais um exercício académico ou de diagnóstico, mas como uma tentativa deliberada de enfrentar o verdadeiro nó da transição energética: a fragmentação do processo de decisão, a burocracia associada ao investimento e a ausência de plataformas eficazes de articulação entre quem regula, quem financia e quem executa.
Ao longo do projecto, tornou-se evidente a distância entre o discurso e a realidade no terreno. A principal conclusão não foi a inexistência de recursos financeiros, mas a dificuldade persistente em processos de licenciamento longos, ambíguos na decisão e frequentemente contraditórios. A falta de previsibilidade regulatória continua a penalizar decisões de investimento e a aumentar o custo do capital, mesmo em projectos alinhados com objectivos climáticos claros.
Não basta ter metas ambiciosas em documentos estratégicos, a transição energética faz-se com regras claras, processos coordenados e confiança entre os diferentes actores do sistema. Exige espaços onde os bloqueios possam ser discutidos sem retórica, onde as boas práticas sejam partilhadas e onde soluções concretas possam ser desenhadas com base na realidade económica e operacional.
É esse o papel que o RAISE procura desempenhar: criar um espaço de diálogo informado e orientado para a execução, capaz de reduzir fricções, alinhar incentivos e mobilizar investimento de forma consistente e sustentável. Num momento em que o tempo é um factor crítico de competitividade, continuar a adiar decisões estruturais não é uma posição neutra. É uma escolha. E, cada vez mais, uma escolha com custos económicos difíceis de ignorar.
Este artigo não segue o Acordo Ortográfico.
Filipe Morais Vasconcelos
Executive Board Member
The Equator Company